quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Teoria para o amor

O amor é um sentimento que sempre trouxe discussões sobre seu surgimento, causas e consequências. Até os cientistas já se aventuraram pelo tema e, segundo alguns, o amor não passa de uma série de hormônios mandados para os neurônios, gerando satisfação e prazer. Mas não houve uma área em que o tema motivasse tantas produções e servisse de inspiração quanto nas artes - entre elas, a música e a literatura. E se o caminho inverso fosse trilhado - da arte para a ciência?

Essa é a proposta domúsico Rafael Castro, conhecido no cenário alternativo nacional por composições que retratam o dia-a-dia e os sentimentos de forma simples e acessíveis, agora está divulgando uma teoria sobre o amor.
Para Castro, o conceito científico é apenas um combustível de algo maior, algo que as pessoas buscam para si, que seria a chave da felicidade. A sua procura por uma explicação para esse sentimento vem desde sempre. A pesquisa de Castro é baseada em experiências pessoais, na observação de outras pessoas e na ficção. "Na ficção, sempre acontece do autor programar um final feliz e movimentar o mundo inteiro para isso. No fim das contas, sintetiza o que todo mundo quer", explicou o músico.

A "Arte do amor" consiste em amar o que é imperfeito. Segundo Castro, as pessoas só amam aquilo que veem de vergonhoso no outro, aquilo que quebra com os valores tradicionais. A explicação dele é que todas as pessoas acabam sendo imperfeitas, erradas e vergonhosas perante a sociedade, portanto, a pessoa vai conseguir aceitar seus próprios defeitos se estiver com uma pessoa que os tenha em maior quantidade. De acordo com a sua teoria, a busca pelo amor vem da necessidade de cuidar (homens) e de ser cuidado (mulheres). "O amor vem da compaixão, e o desejo por ela é justamente um desejo de se sentir humano". Para Castro, isso explica o motivo de se ter tantos casos de amor incabíveis. "A gente se pergunta ‘Mas o que ele/ela viu nessa pessoa?!’ Isso porque o amor verdadeiro vem de um apego forte que temos à imperfeição". Castro acredita que a imperfeição é o que deixa uma pessoa interessante. Araceli Capeleto, que namora há quase 7 anos, não concorda com a teoria de Rafael Castro. Para ela, o amor não é uma busca pela imperfeição e que os defeitos de seu namorado perante os valores da sociedade são uma forma dela se completar nele, já que no seu caso a liberdade dele é o que mais a atrai. "Não que eu seja o modelo de perfeição, mas ele não precisa realizar os anseios dele em ninguém", confessou a estudante, que diz não acreditar em teorias sobre o amor.

Já o mestre em antropologia Thomás Meira explica que existe um campo dentro da sociologia dedicado ao estudo das emoções. Segundo Meira, é válido teorizar a respeito. Para o sociólogo, os sentimentos são construídos socialmente e diferenciados de cultura para cultura. O professor comenta que as formas ocidentais de amar, sentir saudades ou guardar luto, por exemplo, podem ser completamente diferentes das observadas em outras culturas. "No caso da nossa sociedade, aprendemos a expressar nossos sentimentos a partir de valores presentes tanto na educação mais formal como nos filmes, livros, músicas, mitos - como o de Romeu e Julieta - novelas, com os quais nos identificamos", destaca.

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